29 Dezembro 2009

Angheben Barbera 2008

Sou fã declarado dos vinhos da Angheben e sempre que vamos ao Vale dos Vinhedos passamos por lá. Da última vez minha esposa e eu fomos muito bem atendidos pela Sônia. Embora os vinhos estivessem gelados, pois a temperatura estava abaixo dos 10ºC, a degustação foi muito interessante e esse Barbera agradou muito, revelando-se superior ao 2006 já comentado aqui (relembre).
Foram produzidas pouco mais de 2.000 garrafas (abri a de número 2.111), sem passagem por madeira, segundo informações do distribuidor.
Na taça uma bonita coloração rubi, com bons aromas. Vegetal dominando de início, com presença de frutos delicados e maduros. Algo animal (couro) em momentos de temperatura mais alta.
Vinho leve, com taninos macios. Elegante e seco. Frutado discreto, com bom equilíbrio e acidez refrescante. Retro-olfato com notas frutadas e alguma mineralidade. Final de boa intensidade, com boa fruta e álcool sem incomodar em nenhum momento (13%).
Vinho que deve ser conhecido, com estilo próprio e marcante. Sem passagem por madeira, deve ser bebido jovem e está pronto para consumo. Estilo "velho mundo", mantendo as características desta uva piemontesa. Pede comida!

26 Dezembro 2009

Don Abel Premium Merlot 2005

O cabernet sauvignon da vinícola Don Abel, já comentado aqui, foi a maior surpresa de 2009 (relembre). Quando indiquei o "vinho do ano" para a postagem coletiva do Enoblogs cheguei a pensar nele, porque tem uma excepcional relação custo x benefício.
Com o resultado do CS abri esse merlot, da linha Premium com muita expectativa, mas o sucesso não se repetiu com a mesma intensidade. A etiqueta da garrafa diz "Medalha de Ouro - III Concurso Internacional de Vinhos do Brasil 2006". Pra variar, mais uma premiação não se repetiu aqui em casa, embora seja um vinho muito bom e com capacidade de "arredondar" nos próximos dois anos.
Pela garrafa paguei R$35, em julho, quando estive em Bento Gonçalves.
Na taça apresentou coloração rubi, bastante lacrimoso. Aromas intensos, clareza para frutos vermelhos maduros, leve toque vegetal, aromas de café e tostado (apesar de não passar por madeira). Álcool um pouco aparente (14%).
Corpo médio, com taninos finos e levemente rascantes. Acidez pronunciada, com boa presença frutada e álcool novamente dando as caras.
Final mediano, com predominância de leve tostado. Amargor incômodo (o ponto negativo do vinho). No final da garrafa, após minutos de aeração, o amargor e o álcool diminuiram um pouco.

23 Dezembro 2009

Santa Helena Selección Del Directorio Gran Reserva Pinot Noir 2008

Este é o primeiro vinho da gigante Santa Helena que comento em 2009. Talvez porque a última experiência com um Pinot Noir não tenha sido das melhores (relembre). Por esta garrafa paguei R$39, faixa de preços em que encontramos opções melhores, até com certa facilidade.
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No copo uma coloração vermelho bordô, um tanto opaco. Aromas intensos, com madeira em primeiro plano e frutos silvestres em segundo. Um pouco "quente" já no nariz. Algum "mentolado" que incomodou.
Tem corpo mediano, com taninos macios e boa acidez. Final de curto para médio, com madeira prevalecendo sobre a fruta. Álcool novamente dando recado (14%), o que foi o ponto negativo em toda a degustação.
A vinícola sugere 12ºC como temperatura ideal de consumo, um pouco baixa para vinhos tintos. Mesmo seguindo a sugestão do rótulo, o vinho continuou alcoólico.
Não é ruim, mas está um pouco longe de ser um Pinot Noir delicado e elegante. Talvez faça sucesso para quem gosta de vinhos mais alcoólicos e amadeirados.

19 Dezembro 2009

Sassoalloro Toscana IGT 2003

A postagem sobre esse vinho entraria no ar somente no dia 29, mas o Alexandre Frias, mentor do Enoblogs, pediu para que indicássemos o vinho do ano para os leitores dos blogs. Será o maior post coletivo sobre vinhos da história do universo!
Tarefa difícil, mas acho que o título de "melhor do ano" fica bem nesse italiano, um presente que ganhei de outro Alexandre, o Santana,
proprietário da Churrascaria Uai-Tchê, de Uberlândia. O vinho está em ótima forma apesar dos 6 anos de guarda, pelo que presumo ter sido bem acondicionado.
É produzido no Castello di Montepò pelo famoso Jacopo Biondi Santi com uvas Sangiovese Grosso, originárias do mesmo clone do qual o produtor elabora seu Brunello di Montalcino. O vinho é maturado em barricas de carvalho francês por 14 meses, estagiando mais 6 meses em garrafa antes da comercialização.
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Um vinho de coloração púrpura, denso, lacrimoso, manchando as paredes da taça.
Aromas medianos de início. Fruta muito madura, frutos negros, madeira presente em boa medida. Boa complexidade.

Na boca é ainda melhor. Bom corpo, com taninos finos. Boca cheia. Álcool presente, dando potência, sem ser alcoólico. Frutado gostoso, acompanhado de notas de chocolate amargo e café. Retro-olfato com leve toque de especiarias.

Final longo, marcado por madeira bem integrada e fruta madura em ótima intensidade. Boca sentindo levemente os taninos.

Vinho complexo, gastronômico e robusto. Está num bom momento para consumo, mas pode ficar mais redondo nos próximos anos.
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15 Dezembro 2009

Dez perguntas para... Eduardo Angheben

Eduardo Angheben ao lado de seu pai, Idalêncio, em evento promovido pela Vinci Vinhos. Foto gentilmente cedida pelo site Enoeventos.
O blog Vinho para Todos inaugura hoje uma seção que se dedicará a entrevistar uma personalidade do mundo do vinho pelo menos a cada dois meses, publicando a entrevista no dia 15.
Para a primeira entrevsita escolhemos o enólogo Eduardo Angheben, que ao lado de seu pai Idalêncio, comanda uma das vinícolas brasileiras mais interessantes. Seus vinhos primam pelo pouco (ou nenhum) uso da madeira e são elaborados com uvas menos conhecidas do consumidor brasileiro, como teroldego e barbera. Produzem ainda os tintos touriga nacional, cabernet sauvignon e pinot noir, além de um gewürztraminer e um ótimo espumante brut, todos provenientes do terroir de Encruzilhada do Sul.
VPT - Eduardo, conte para nossos leitores um pouco dessa história de você e seu pai serem os "descobridores" do potencial vinícola de Encruzilhada do Sul.
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A história sobre a nossa "descoberta" de Encruzilhada começou com um professor meu do Curso Superior de Enologia. Ele se chama Eduardo Giovannini e morou lá em Encruzilhada do Sul na década de 80. Nessa cidade ele produzia mudas de plantas frutíferas e me contou que o clima de lá era interessante. Ele também já havia comentado isso com meu pai em meados de 1984/85.

Em 1996, cursando a cadeira de Viticultura eu tive que realizar um projeto de pesquisa buscando identificar as condições edafoclimáticas de uma possível nova região vitivinícola no Brasil. Decidi fazer essa pesquisa sobre o município de Encruzilhada e solicitei uma ajuda para meu pai que buscou livros sobre o Zoneamento Agroclimático do RS. Juntamente com dados que eu havia coletado, mais esses últimos, compilei tudo em um estudo que indicou que a região da Serra do Sudeste do Rio Grande do Sul era uma região bastante favorável ao cultivo da videira.

Mais tarde, já com intenção de começar nossa vinícola decidimos que iríamos procurar terras para tal e incluímos Encruzilhada entre os possíveis lugares a se implantar os vinhedos. Meu pai ainda trabalhava na Chandon e aprofundou e apresentou meu projeto para esta empresa. O projeto chamou atenção e a multinacional decidiu pela compra de terras em Encruzilhda. Passamos de 1999 a88 hectares. 2000 procurando áreas de terras para as duas empresas até que adquirimos a nossa propriedade de

Nela decidimos que iríamos plantar uvas consideradas tradicionais como a Merlot, Cabernet Sauvignon e Chardonnay, mas também faríamos um laboratório com uvas pouco conhecidas ou que nunca haviam sido cultivadas aqui no Brasil.

Desde 2000, portanto, estamos com os vinhedos implantados em Encruzilhada do Sul chegando atualmente a 25 hectares dos quais a maior parte é vendida para outras empresas.

A Angheben fica com uma parte pequena da produção comprando a preço de mercado já que os vinhedos constituem uma empresa separado. A Angheben foi responsável pela implantação e desenvolvimento do projeto técnico fornecendo todo o suporte técnico para os vinhedos, assim divulgamos a região e isso gerou o interesse de outras empresas que se instalaram posteriormente na região o que deu mais credibilidade ainda ao nosso projeto.

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VPT – A cantina da Angheben está instalada no Vale dos Vinhedos, distante cerca de 330 km de Encruzilhada do Sul. De que maneira isso interfere na produção?

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Na realidade a distância entre o Vale dos Vinhedos e Encruzilhada do Sul é de cerca de 250 km. Essa distância influência na questão de custo uma vez que encarece o frete. Todavia, na questão de qualidade temos um sistema de qualidade para a vindima que mantém a uva totalmente sadia e inteira desde a colheita até a chegada da uva na vinícola. Toda a uva é colocada em caixas e nelas é depositado no máximo 17 kg em cada caixa sem que nenhuma fruta seja esmagada pelo peso. As caixas são arejadas e tudo é feito no mesmo dia desde a colheita até o recebimento da uva. O transporte normalmente é feito à noite e processamos a uva na mesma noite. Caso tenhamos que transportar durante o dia isso é realizado com caminhões refrigerados. Portanto, conseguimos manter os níveis de qualidade para se elaborar ótimos vinhos.

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VPT – Por que a escolha por variedades menos populares para o consumidor brasileiro, como teroldego, barbera e touriga nacional?

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Primeiramente tudo foi pensado em termos de um "laboratório". Todavia, sabedores que o consumidor de vinhos finos é e está cada vez mais "curioso" e ávido por novidades e muito interessado em apreender sobre novos vinhos e novas possibilidades, resolvemos testar variedades diferentes. Algumas não deram um resultado satisfatório e após 3 ou 4 anos de produção, substituímos as plantas pelas que haviam dado ótimo resultado e tinha melhores perspectivas de mercado.

O caso da Teroldego, Barbera e Touriga foram as variedades diferentes que se destacaram positivamente em termos de vinho desde o início do projeto e por isso temos os vinhos no mercado há algum tempo. Mas foram destaques também a Chardonnay, a Pinot Noir e a Gewurztraminer.

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VPT – O cabernet sauvignon foge dessa proposta. Por que a escolha dessa uva e não da merlot, que é tida como a que mais se adaptou ao clima brasileiro?

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O caso da Cabernet Sauvignon teve dois aspectos. Um o aspecto técnico que foi testado como nas demais cultivares. Contudo, o aspecto mercadológico fez com que fosse umas das escolhidas para o "laboratório". Caso desse certo, como foi o caso, seria um vinho mais fácil de vender.

O caso da Merlot foi semelhante. Plantamos e ainda temos os vinhedos dessa uva. O resultado não é exatamente o que nós esperávamos. Confesso que gera um bom vinho, mas não o que eu esperava. O resultado da Merlot no Vale dos Vinhedos se mostra superior ao dessa mesma uva em Encruzilhada do Sul.

Gostaria de ressaltar que essa é uma opinião pessoal.

Creio que quando abordamos a questão de uma variedade para o Brasil devemos levar em conta que estamos falando de um país de dimensões continentais e portando, de muito microclimas diferenciados. Generalizar os aspectos climáticos afirmando que existe uma variedade para o Brasil é bastante delicado. A questão do Merlot é um bom exemplo para discutirmos isso. É notório o resultado positivo dessa uva para a região da Serra Gaúcha é mais notório ainda quando falamos de Vale dos Vinhedos. Isso não significa que a Merlot deva ser a uva escolhida para regiões da Campanha Gaúcha ou a Região do Vale do São Francisco, por exemplo, mas já uma realidade no Vale dos Vinhedos.

O mesmo pode ser analisado sobre o Espumante. Considero que para a Merlot e para o Espumante (tipo "champanha") as regiões da Serra Gaúcha em especial o Vale dos Vinhedos são as que geram os melhores resultados e que em breve farão a fama da Vitivinicultura do Brasil. Talvez a curto prazo esses dois tipos de produtos se tornem os "vinhos emblemáticos" do Brasil. Esses produtos provarão por si sós que o Brasil tem sim clima apropriado para vinhos finos, desde que se respeite a vocação de cada região. Se o Chile é bom para Carmenère e Cabernet Sauvignon, a Argentina é a terra do Malbec e o Uruguai do Tannat, o Brasil será respeitado pelos Espumantes e pelo Merlot do Vale dos Vinhedos.

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VPT – Vocês não utilizam madeira (ou utilizam pouca) em seus vinhos. É uma tentativa de fugir da “padronização” em voga nos vinhos sul-americanos?

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Nossa proposta é respeitar as características da região e da uva nela cultivada. Claro que ainda estamos buscando uma identidade, uma vez que temos plantas de apenas 9 anos. Estamos "construindo" podemos dizer assim, um novo "terroir" em Encruzilhada. Ainda temos muito para aprender sobre o comportamento das uvas lá cultivadas e temos que ter muito cuidado na utilização do carvalho para que não mascare as características típicas desses novos vinhos. Sem dúvida uma grande parte dos vinhos elaborados no Novo Mundo sofrem essa "padronização". Não sou contra essa forma de produção, o que não sou favorável é que se venda esse tipo de produto como se fosse esse o único "padrão". Quando falamos de vinhos não podemos ficar presos a padrões impostos. Há inúmeras diferenças nos vinhos de cada região e essa é a grande virtude, a verdadeira graça do mundo do vinho. Impor ao consumidor que está ainda aprendendo a provar vinhos um padrão e dizer a ele que este é o padrão de qualidade é uma irresponsabilidade ou no mínimo há interesses comerciais por trás disso. Esse "padrão" standartizado de vinhos com pouca acidez, muita madeira, e sabor que parece adocicado, não traduz o verdadeiro valor de experimentar um vinho que revela o sabor de uma determinada região. Devemos mostrar ao consumidor que o vinho é a expressão organoléptica de uma região, provar um vinho do Vale dos Vinhedos ou de uvas de Encruzilhada do Sul é sentir o sabor e os aromas dessas terras. O mesmo vale para um vinho do Pommerol, ou da Toscana. Provar um vinho que não apresenta características típicas de sua região, no qual não se sabe direito se seu sabor parece com um vinho do Chile, da Austrália ou da Califórnia tem o mesmo valor do que tomar um refrigerante.

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VPT – É possível produzir um pinot noir de destaque no Brasil? Que características ele terá?

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A uva Pinot Noir é bastante delicada de ser cultivada em qualquer parte do mundo. Na Serra Gaúcha ela vem obtendo sucesso para a elaboração de espumante. Para vinho tinto ainda é cedo para afirmar que produziremos vinhos de destaque. Mas com certeza é possível elaborar bons Pinots. Tanto na metade sul do RS quanto na Região dos Campos de Cima da Serra do RS estão sendo obtidos resultados interessantes. Em ambos os casos os vinhos resultantes são vinhos leves e delicados. Frutados, frescos e fáceis de beber embora com diferenças em função de cada região. Contudo ainda é cedo para se afirmar que já existe um Pinot típico e único no Brasil. Porém, nada impede que isso aconteça.

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VPT – Por que não produziram vinho em 2009?

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A Angheben vem produzindo quantidades muito pequenas. Temos um capital limitado para investimentos e desde nossa fundação elaboramos vinhos independente da qualidade de cada safra. Todavia, só engarrafamos os vinhos que apresentem um nível de qualidade que julgamos satisfatório. Assim, em algumas safras vendemos os vinhos que até eram bons, mas não o suficiente para ser um Angheben. A diferença agora é que uma vez que a qualidade da uva não for excelente não será mais elaborado vinho. Elaborar o vinho e ter que vendê-lo a granel não vale a pena no nosso caso. Em 2009 foi parecido.

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VPT – Vocês optaram por não distribuir seus vinhos diretamente, mas através da Vinci Vinhos. Por que?

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Existe uma grande dificuldade de logística no Brasil. O país é bastante grande e os custos de frete muitas vezes inviabilizam a comercialização direta pela vinícola principalmente em se tratando de venda a restaurantes. É sabido que hoje em dia poucos restaurantes mantém um estoque grande de vinhos. O normal é manter o mínimo possível e ai as compras são bastante fracionadas. Assim o frete acaba onerando o preço do vinho. A saída é a busca por um distribuidor que atenda e distribua o vinho localmente. Esse é o caminho mais viável embora as margens sejam menores para o produtor.

No caso da Vinci ela não é simplesmente uma distribuidora. Por trás da Vinci existe uma equipe muito competente, liderada pelo Ciro Lilla que dispensa apresentações. Tendo o aval do Dr. Ciro a Vinci entendeu nossa proposta e filosofia de trabalho. Tanto a Vinci quanto a Angheben não estão querendo defender o vinho brasileiro simplesmente. Nós estamos "levantando a bandeira" dos vinhos de qualidade e a Vinci encontrou na Angheben essa qualidade independentemente da origem. Ou seja, sem preconceitos contra o "vinho nacional" a Vinci reconheceu o trabalho da Angheben e além de disponibilizar nossos vinhos no mercado vem com muita competência mostrando e divulgando o trabalho, o pioneirismo e a qualidade de uma pequena Vinícola do Brasil.

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VPT – Se você fosse escolher pra beber em casa um vinho tinto, um vinho branco e um espumante brasileiros (que não sejam Angheben, claro), quais escolheria?

Certamente escolheria um Merlot do Vale dos Vinhedos. Gosto muito do Merlot V.E. produzido pelo Spa do Vinho aqui do Vale dos Vinhedos. Há bons tintos feitos da uva Tannat aqui no Vale também. E ainda estão surgindo belos tintos da Serra do Sudeste do RS e na região da Campanha.Já para os Espumantes, pode-se dizer que há vários de ótima qualidade aqui na Serra Gaúcha, seria injustiça eleger um só, mas o Chandon Excellence bem como os espumantes da marca Estrelas do Brasil são muito bons. Nos vinhos brancos considero que ainda estamos devendo ao consumidor... talvez eu iria procurar algum Riesling Itálico, mas esse vou ficar devendo a indicação.

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VPT – Que novidades podemos esperar da Angheben para as próximas safras?

Estamos repensando algumas coisas aqui na Angheben. Certamente virão novidades, provavelmente um novo espumante, esse mais leve e frutado e nos tintos pensamos em vinhos de cortes para serem vinhos tops. E há ainda outras novidades mais para frente, mas essas vamos falar numa próxima vez, combinado?

12 Dezembro 2009

Errazuriz Reserva Chardonnay 2008

Minha esposa tem me exigido "delicadamente" que compre mais vinhos brancos, pois ela prefere brancos e espumantes, enquanto eu prefiro os tintos. Mas tenho que concordar com ela que ao preferir os tintos estou alimentando um certo preconceito em relação aos demais. Então, quando comprei o Pinot Noir da Errazuriz (já comentado aqui) aproveitei para levar este Chardonnay, pagando R$ 37.
Na vinificação, 94% do vinho foi fermentado em tanques de aço inoxidável e os outros 6% em barricas de carvalho francês, resultando num vinho elegante e com certa complexidade.
Tem coloração amarelho palha, com reflexos esverdeados. Aromas em boa intensidade, com destaque para frutos brancos, como abacaxi. Apresentou discretas notas minerais.
Na boca é volumoso, com bom corpo e acidez discreta, com agradáveis notas doces. Final um pouco ligeiro demais, com boa refrescância. Fundo de copo com leve defumado (proveniente da madeira) e aromas lembrando amêndoas. Álcool de 13,5%, sem incomodar.
Ótimo exemplar de Chardonnay a preço acessível. Muito equilibrado, com certa complexidade. Acredito que se tivesse um pouco mais de acidez seria quase imbatível na faixa de preços.

09 Dezembro 2009

Bouza Trilogia 2006

A Bodega Bouza Boutique, fundada em 1942, tem feito sucesso em vários blogs sobre vinhos, especialmente com seu Monte Vide Eu, um tinto poderoso, obtido da vinificação em separado das três uvas que compõem esse Trilogia.
O vinho agora comentado (que não aparece no site da vinícola) é um corte de Tempranillo (50%) e parcelas iguais de Tannat e Merlot. Me custou R$35 e se mostrou um vinho tranqüilo, com predominância das características da Tempranillo, salvo melhor juízo. Foram produzidas 14.000 garrafas. Abri a de nº 634.
Na taça apresentou coloração rubi, com boa transparência. Muito aromático. Ao servi-lo os aromas invadiram o ambiente.
Na boca é leve, macio, com taninos dando certa rusticidade. Boca marcada por frutado delicado. Madeira presente em boa medida.
Final curto, levemente frutado, desaparecendo rápido, deixando a boca limpa (talvez seu único problema).
Álcool a 13% não incomodou. Vinho simples, mas equilibrado, sendo uma boa compra.

06 Dezembro 2009

Tributo Merlot 2007

Numa degustação que participei em outubro, esse foi o melhor tinto da linha Tributo, da Vinícola Marco Luigi, que certamente tem alguma passagem por barricas, mas não sei precisar o tempo. Com 12% de teor alcoólico, é um vinho bastante acessível, custando em torno dos R$18.
Na taça tem coloração rubi, com boa transparência. Aromas discretos. Destaque para frutos vermelhos maduros e notas florais. Corpo mediano, com taninos macios e baixa acidez.
Final de boa persistência, com madeira muito discreta. Frutado tomando conta.
Vinho do qual não se pode esperar exuberância, mas não deixa de ser agradável e correto, com destaque para madeira que não escondeu as características.

05 Dezembro 2009

Tributo Espumante Brut

Numa degustação que participei em outubro, esse foi o melhor espumante da linha Tributo, da Vinícola Marco Luigi. Um brut elaborado pelo método Charmat, a partir das uvas Chardonnay e Riesling Itálico, com 12% de teor alcoólico. Não é safrado, mas o lote indicado no contra-rótulo é de 2008.
Espumante de coloração amarelo palha, com notas esverdeadas. Perlage com bolhas finas e boa intensidade.
Aromas moderados. Frutado discreto, com lembraça cítrica (talvez maçã verde), sobrepondo-se aos aromas vindos da fermentação (tostado e fermento).
Boa cremosidade, com acidez correta e boa refrescância. Retro-olfato com lembrança de mel e um pouco de tostado. Final mediano.
Espumante simples e correto. Vale o que custa (R$ 23).

01 Dezembro 2009

Cono Sur Riesling 2007

Este é o 36º vinho que comento para a Confraria Brasileira de Enoblogs, uma ótima escolha do Jean, do blog O Tanino.
Como não encontrei o vinho por estas bandas, me vali da gentileza do confrade Jeriel, que mantém o ótimo Blog do Jeriel. Me enviou pelo correio duas garrafas, compradas a R$ 26,90.
O vinho é produzido pela Cono Sur, subsidiária da Conha y Toro, com uvas do Vale do Bio-Bio, região em que predominam dias quentes e noites frias, com alto índice pluviométrico, ideal para variedades de clima frio.
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Na taça o vinho tem uma bela coloração amarela, tendendo para o dourado. Aromas muito presentes. Frescor e citricidade muito atraentes. Em temperaturas mais baixas a mineralidade tomou conta.
Na boca é fresco, com boa acidez e notas doces. Equilibrado e muito agradável. Final mediano, marcado por boa presença cítrica. Álcool a 13,5%, sem se fazer notar.
Não é um vinho de grande complexidade, mas tem ótima relação qualidade x preço e reúne as características mais marcantes da riesling. Uma compra que me deixou muito satisfeito.
Harmonizou-se bem com frango ao molho de açafrão, prato típico de nossa região. Deixou a boca limpa após a comida, provavelmente por conta da boa acidez. Uma surpresa, já que não havia planejado abrir o vinho na ocasião.
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28 Novembro 2009

Coloma Selección Torre-Bermeja 2007

Esse tinto, produzido pela Bodegas Coloma, vem da região de Extremadura, sudoeste da Espanha, com uvas plantadas em zona de fronteira com Portugal. Trata-se de um corte de Cabernet Sauvignon (60%), Merlot (20%) e Garnacha (20%). Passa 9 meses em barricas de carvalho americano.
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Na taça apresentou coloração púrpura, com bordas rubi. Lacrimoso. Aromas intensos. Início dominado pela influência do carvalho americano, com baunilha e côco. Depois de um tempo apareceu frutado maduro, em boa composição com madeira.
Vinho diferente em boca. Corpo mediano. Antes de engolir pareceu macio e redondo, mas tem taninos rascantes, potentes, com acidez dando recado. Notas adocicadas apareceram.
Final curto, deixando boca seca e a língua um pouco "castigada" pelos taninos. Lembrança de leve madeira, boa fruta, algo terroso e notas florais (violetas).
Vinho que vale a experiência por ser de uma região pouco usual entre nós, mas potência dos taninos deixou o vinho um pouco mais duro que o esperado. Pude aplicar claramente a explicação didática para os taninos: "lembrança de banana verde". Além disso, tem final muito ligeiro.
Álcool a 13%, sem incomodar. A garrafa me custou R$37,50.

24 Novembro 2009

Casa Valduga Gran Reserva Chardonnay 2008

Tenho comigo há um tempo que os vinhos brancos brasileiros podem fazer tanto sucesso quanto os espumantes. É que a colheita das uvas brancas é feita mais cedo que as tintas, sofrendo menos com os problemas climáticos da Serra Gaúcha.

Este Chardonnay da Casa Valduga é um grande vinho branco nacional, ao lado do produzido pela Villa Francioni. Mas tem uma vantagem: custa a metade do preço.

Com passagem de 6 meses por barricas de carvalho francês e romeno, é um vinho de boa complexidade, gastronômico, sedoso e marcante. Vale os R$ 48 que paguei.

De coloração amarelo palha, tem aromas medianos, lembrança de frutos maduros como abacaxi em calda. Sinal do tostado da madeira e um pouco de mel.

Evolui muito em boca. Untuoso, macio, amanteigado. Acidez aparente. No retro-olfato um bom equilíbrio entre fruta e madeira (tostado). Vinho redondo e com bom corpo.

Final longo. Acidez mediana, muito agradável. Tostado elegante acompanhando a fruta. Vinho que não se mostrou “chato” com o uso da madeira. Ao contrário, adquiriu complexidade.

Um vinho que simboliza o potencial dos vinhos brancos brasileiros. Acompanhou bem uma descompromissada tábua de queijos macios (brie e camembert), mas tem estrutura para pratos mais potentes, especialmente carnes brancas.

Esta safra 2008 está esgotada. Bebi em quatro ocasiões diferentes e em todas elas tive ótima impressão. Estive no varejo da vinícola em outubro do ano passado e o vinho havia sido engarrafado naquela semana e o degustei com o enólogo João Valduga. Uma chance rara.

Comprei uma garrafa da safra 2009. Vamos ver como está em breve.




21 Novembro 2009

Salton Volpi Gewürztraminer 2009

Gosto muito da uva Gewürztraminer e não poderia deixar de experimentar este vinho da Vinícola Salton, da boa linha Volpi. São vinhos a bom preço e com boa qualidade, quase sempre. Por esta garrafa paguei R$19,90 e o vinho deu conta do recado. Não é exuberante, mas agradou especialmente se considerarmos o preço.
De coloração amarelo palha, com boa transparência, apresentou bons aromas, com floral característico da variedade. Leve e refrescante, tem boa acidez, mas é simples em boca.
Final curto, com prevalência floral. Leve amargor e lembrança vegetal. No fundo da taça, um curioso aroma de amendoim ou castanha(?). Simples e despretensioso. Bom para uma quente noite de quarta-feira. 13% de teor alcoólico.

17 Novembro 2009

Chateau Toutigeac Bordeaux AOC 2006

Definitivamente é difícil encontrar um bom Bordeaux na faixa de preços deste blog. Este vinho, importado pela Sociedade da Mesa, me custou R$34,50. É elaborado pela Vignobles Toutigeac, a partir de um corte de Merlot (72%), Cabernet Franc (18%) e Cabernet Sauvignon (10%), com 12,5% de teor alcoólico. Apesar do bom preço, não compraria outra garrafa, com todo respeito aos que pensam diferente.
Na taça apresentou coloração rubi, límpido e transparente. Aromas moderados. Frutos vermelhos maduros. Notas de especiarias.
Vinho de pouco corpo, com taninos ainda firmes. Seco. Leve fruta em boca. Amargor discreto. Melhorou depois de um tempo aberto, desaparecendo a sensação amarga.
Final curto, boca seca. Madeira discreta.
Tive a impressão de que pode ficar mais macio com um tempo de guarda, mas não creio que ficará mais interessante. Como anotei em minha caderneta no dia da degustação: não é ruim porque não tem defeitos, mas não se justifica. Sem atrativos.



13 Novembro 2009

Errazuriz Reserva Pinot Noir 2008

A Viña Errazuriz é uma prestigiada vinícola chilena, fundada em 1870 por Don Maximiano Errázuriz no Vale do Aconcágua, a cerca de 100 km ao norte da capital Santiago. A região tem clima frio e chuvoso no inverno, mas verões quentes e secos, que recebe brisas úmidas do Oceano Pacífico.
Este Reserva é elaborado com 100% de uvas Pinot Noir provenientes do Vale de Casablanca. Tem passagem de 8 meses por barricas de carvalho francês de vários usos.
De coloração rubi, transparente, demonstrou tipicidade já no exame visual. Aromas em boa intensidade, frutos silvestres maduros (cerejas, framboesas e morangos). Algum traço floral.
Vinho leve, com taninos macios, notas adocicadas, acidez moderada. Redondo, com retro-olfato frutado e leve álcool (13,5%).
Final mediano, com destaque para boa fruta e leve acidez. Álcool repetindo presença, mas sem ser um defeito. Madeira muito bem dosada pelo enólogo.
Não me pareceu necessitar de decantação, mas no fim da garrafa melhorou, indicando que pode receber breve aeração. Vinho com boa cor, bons aromas, boa tipicidade e boa presença em boca. Relação custo benefício interessante. Paguei R$42 pela garrafa. Diria que este vinho fica na metade do caminho entre a delicadeza esperada de um Pinot Noir e a potência a que estamos acostumados na maioria dos chilenos e argentinos elaborados com esta uva.

09 Novembro 2009

Cave Antiga Espumante Moscatel

Comprei este moscatel em Bento Gonçalves, pagando algo em torno de R$ 19. Uma pechincha, se considerarmos que este espumante já foi eleito por várias vezes o melhor moscatel brasileiro. Embora eu tenha um pouco de receio dessas notícias (relembre o que escrevi sobre o moscatel da Garibaldi), a relação custo x benefício é muito boa.
É produzido em Farroupilha pela Vinícola Cave Antiga, casa fundada em 1998.
Posso apontar quatro qualidades desse moscatel - em ordem de importância - que justificam sua compra: não é exageradamente doce, não tem amargor no final, possui boa refrescância e tem bom preço. Ideal para festas em que não se pode/quer gastar muito com os vinhos.
Na taça tem coloração amarelo palha, com perlàge irregular (bolhas grandes). Aromas discretos, com presença do floral característico dos moscatéis. Na boca é cremoso e refrescante, com acidez em destaque. Sem notas amargas. Final curto, com destaque floral.
Espumante simples, mas sem defeitos que comprometam a qualidade. Cumpre o papel, com bom equilíbrio. Álcool a 7,7%.

05 Novembro 2009

Villa Cerna Chianti Classico DOCG 2007

Esse Chianti é produzido com as uvas Canaiolo, Sangiovese e Colorino pela Famiglia Cecchi, que já teve outro vinho comentado aqui (relembre). Segundo o importador, recebeu 88 pontos do Robert Parker... pode ser, mas não foi dessa safra... ou pelo menos do lote do qual saiu esta garrafa que comprei (pagando caros R$48).
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Na taça apresentou coloração púrpura com tons violáceos. Lagrimas grossas. Aromas medianos, demonstrando austeridade, com frutos maduros em destaque, acompanhados de especiarias.
Corpo médio, com taninos rústicos e acidez equilibrada. Retro-olfato com algum frutado. Final mediano, fruta acompanhada por notas de chocolate e leve tostado. Boca seca. Álcool sem incomodar (13%).
Vinho sem complexidade e com poucos atrativos. Relação custo x benefício ruim. Rústico demais. Não consegui beber a garrafa toda. No outro dia, a história se repetiu.

01 Novembro 2009

Salton Volpi Cabernet Sauvignon 2007

Este é o 35º vinho comentado para a Confraria Brasileira de Enoblogs, uma escolha da Fabiana, do blog Escrivinhos, de Recife.
A linha Volpi, da Vinícola Salton, é bastante confiável. Tem bom preço e vinhos ideais para o dia-a-dia, bem superior à linha Classic da mesma vinícola, embora com um preço pouco superior.
Por esta garrafa paguei R$23,90. Foi degustada ontem mesmo, mas me esqueci de escrever a respeito, tanto que o comentário saiu hoje apenas com alguns rascunhos. Alguém deve ter achado que bebi muito, mas não foi o caso.
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Apesar da indicação de ser um Cabernet Sauvignon, esta uva está presente em 85% do corte, que ainda leva 15% divididos igualmente entre Merlot, Tannat e Cabernet Franc.
O vinho passa por um estágio de seis meses em barricas de carvalho norte-americano e outros seis meses em garrafa.
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Servi as duas primeiras taças diretamente da garrafa, deixando o restante no decanter por meia hora. Ao que parece o vinho melhorou um pouco, abrindo-se para um frutado mais franco, com a madeira deixando de aparecer tanto. Melhor com comida.
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Na taça uma coloração rubi escuro, com muitas lágrimas. Aromas em boa intensidade. Domínio das notas vindas do carvalho americano: côco, baunilha e tabaco. Toques discretos de especiarias. Fruta escondida no início.
Corpo mediano. Taninos já domados, macios e doces. Acidez equilibrada. Retro-olfato amadeirado, com especiarias em alguns momentos.
Final mediano. Domínio da madeira, com lembrança tostada. Leve amargor. Álcool a 13% sem incomodar em nenhum momento.
Ficou melhor depois da decantação e a uma temperatura de 18ºC (revelando aromas de especiarias e madeira mais escondida). Vinho correto, sem ser excepcional.
Fiquei na dúvida sobre a avaliação, mas vou usar o in dubio pro vino, porque tem mais aspectos positivos que negativos, a um preço justo. Melhorou depois de um tempo e tem vocação gastronômica.

29 Outubro 2009

Casa Valduga Espumante Brut 2002

Minha "adega" às vezes parece um museu. Não que tenha vinhos caros e de guarda esperando para serem degustados no melhor momento. Nada disso. Mas gosto de comprar vinhos mais antigos, mesmo sabendo que o risco é grande. Se o vendedor cuidou bem do vinho, compro mesmo. Esse espumante eu ganhei de um amigo, que conhece essa minha curiosidade.
É um espumante elaborado pelo método tradicional (champenoise - com a segunda fermentação na própria garrafa), com as variedades Chardonnay e Pinot Noir. Geralmente o método tradicional possibilita espumantes mais complexos e gastronômicos que o método Charmat. Esse "velhinho" da Casa Valduga mostrou estar em ótima forma ainda.
Na taça uma coloração amarelo ouro, com perlage fina e muito persistente, surpreendendo. Espuma rápida. Aromas frutados típicos do tradicional corte, mas em segundo plano. Destaque para aromas da segunda fermentação, como pão torrado e um pouco de mel.
Muito cremoso na boca, com acidez ainda presente, dando refrescância. Retro-olfato marcado por aromas de torrefação, fermento e mel. Final longo, repetindo aromas.
Agradou a todos lá em casa. Um ótimo presente e mais um achado.

25 Outubro 2009

Don Abel Reserva Cabernet Sauvignon 2005

Bebi esse vinho na noite seguinte ao Salton Talento (relembre). Já peço desculpas antecipadas por contrariar a maioria, mas esse Don Abel foi mais interessante. Um vinho que me custou R$26,50 e que tem como características a ausência de passagem por madeira e a não chaptalização (adição de açúcar ao mosto, antes da fermentação, para que o vinho atinja o teor de álcool desejado). Essa, aliás, é uma "bandeira" desta vinícola, fundada em 2005 na cidade de Casca, na Serra Gaúcha. O vinho tem intensa coloração rubi, com pouca transparência. Muito lacrimoso, deixou manchas nas paredes da taça. Como não foi decantado, apareceram resíduos já de início, além de cristais de tártaro.
Aromas medianos, mas muito interessantes: frutos vermelhos maduros, ameixa, pimenta e especiarias. Na boca tem bom corpo, com taninos macios e doces. Acidez equilibrada e retro-olfato frutado.
Final longo, com frutado maduro e intenso. Equilibrado. Certa potência, dada pelos 14% do álcool. Retrogosto marcado por tabaco e um pouco de mel (?).
Confesso que procurei defeitos nesse vinho, mas não encontrei. Aliás, os adjetivos que anotei em minha caderneta foram: denso, equilibrado e intenso.
Compre caixas e me convide para ajudar!

22 Outubro 2009

Salton Talento 2004

Comprei este vinho em setembro de 2007. Lá se foram mais de dois anos de espera para ver como este campeão de premiações da Salton está cinco anos após o engarrafamento. Certamente ainda é um vinho muito bom, de qualidade superior, mas já passou seu auge. Não está com nenhum defeito, mas não aparenta força para evoluir. Já deu!
Na época em que comprei, me custou R$45. Um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Tannat, com álcool a 12,5% e passagem de 12 meses por barricas novas de carvalho francês.
Na taça a coloração ainda é púrpura, com bordas sem evolução na cor. Bastante lacrimoso, apresentou cristais de tártaro.
Aromas intensos. Início dominado pela baunilha, abrindo-se para boa fruta madura, ervas e especiarias. Na boca tem corpo mediano, com taninos macios. Equilibrado e marcante. Retro-olfato com boa fruta, acompanhado por amadeirado elegante.
Final longo e agradável, prevalência de elegante tostado, chocolate e café. Frutado em segundo plano. Melhorou depois de aberto.
Sem dúvida, um vinho nacional de respeito, indicando que podemos fazer bonito também com vinhos tintos, mas se tiver esta safra em casa, beba logo!




19 Outubro 2009

Fina Viognier Sicilia IGT 2007

Este vinho é elaborado pela Cantine Fina, fundada no início dos anos 1980 em Marsala, na ilha da Sicília. Pela garrafa paguei R$27 e fiquei um pouco arrependido quando vi que no site da vinícola não falam desse vinho. Conclusão: não devem gostar muito dele e mandam pra nós.... Mas se até lixo os europeus nos mandam, por que não mandariam vinhos? Apesar disso, foi satisfatório.
Na taça tem coloração amarelo-esverdeado, muito brilhante. Aromas em boa intensidade, com prevalência mineral. Frutos brancos, como pêra e abacaxi maduro. Quando mais frio, apresentou maior citricidade.
Na boca tem boa refrescância, acidez discreta e boa presença. Final mediano, marcado pelo frutado dos aromas e leve tostado, lembrando passagem por madeira.
Vinho simples e despretensioso, que deixou um leve defumado no fundo da taça.
Como disse acima, satisfatório (nada mais).

16 Outubro 2009

Cuatro Vacas Gordas 2008

Quando encontramos esse vinho no supermercado, minha esposa logo pegou uma garrafa, afinal o rótulo é divertido. Mas desconfiei do preço. Pagar R$38 num vinho que nunca ouvi falar, de uma vinícola também obscura (Bodega Caligiore), devo estar fazendo besteira!
Na taça apresentou coloração púrpura, com notas violáceas. Lacrimoso. Muito aromático, prometendo que eu tinha errado na previsão. Várias sensações interessantes: fruta madura, algumas notas florais, pimenta, goiaba e até queijo (?). Álcool incomodando um pouco o nariz (14%).
Na boca a alegria acabou. Pouco corpo, muito leve para um corte de Malbec e Cabernet Sauvignon. Taninos um pouco adstringentes. Acidez equilibrada. Retro-olfato frutado e leve álcool.
Final curto e com leve amargor. Boca rugosa. Álcool esquentando. Fundo do copo com clara lembrança de goiabada. Ficou alcoólico com comida. Agradou apenas no exame olfativo, prometendo complexidade que não se confirmou. Vinho muito simples pelo preço. Deveria custar R$15.



13 Outubro 2009

Dessilani Dolcetto D'Alba DOC 2007

Desde que comentei outro vinho elaborado com a Dolcetto, virei admirador desta uva. Pena que não se encontra vinhos confiáveis em minha região. Quando me deparei com este a $31, não pensei duas vezes. É elaborado pela vinícola Dessilani, casa fundada em 1892 e com sede em Fara Novarese, na província de Novara, na região do Piemonte. O site estava passando por reformulação, impedindo maiores informações.
Um tinto agradável, mas inferior ao que havia comentado em outra ocasião (relembre).
Na taça uma delicada coloração grená, com lágrimas lentas e grossas. Aromas discretos. Frutos delicados como morango e framboesa em destaque. Lembrança vegetal em alguns momentos.
Vinho leve em boca, com taninos finos e acidez em destaque. Melhor que nos aromas. Retro-olfato com frutos delicados. Notas adocicadas muito agradáveis apareceram em alguns momentos.
Retrogosto com frutado discreto, boca enrugada, lembrança de goiaba e chocolate. Álcool (13%) dando mais potência que o esperado para um Dolcetto. Agradável e nada mais!

09 Outubro 2009

Aliança Reserva Tinto Bairrada DOC 2006

Os vinhos da Aliança - Vinhos de Portugal (fundada em 1927, na Bairrada) povoam os supermercados brasileiros. Quase todos com preços inferiores a R$25 e vindos das mais variadas regiões portuguesas: Alentejo, Douro, Bairrada, Dão e Beiras.
No site da empresa não encontrei informações deste produto, elaborado exclusivamente com a uva Baga, que ganhou maior ênfase nos últimos anos em virtude dos bons vinhos produzidos por Luis Pato, seu "domador". Encontrei preços variando entre R$20-25. Provavelmente é produzido aprenas para o mercado externo.
Na taça coloração rubi, muito brilhante e lacrimoso. Aromas iniciais muito maduros, lembrando alguns Cabernet Sauvignon chilenos. Com agitação da taça, surgiram aromas medianos de frutos maduros, como ameixa, e notas florais. Aí sim pareceu um vinho português.
Corpo mediano, com taninos firmes. Vinho seco, com acidez discreta e ataque frutado. Lembrança vegetal no retro-olfato. Álcool a 13%, sem desafinar.
Final com certa rusticidade e média persistência, mas com bom frutado e leve tostado. Equilibrado, agradável e correto para o preço. Acompanhou bem uma comidinha simples numa baita quarta-feira. Ficou melhor aos 18ºC.



Obs.: a partir de março de 2008 a vinícola trocou o tradicional nome Caves Aliança para o atual, coincidindo com uma grande mudança na imagem institucional.

05 Outubro 2009

Yume Montepulciano D'Abruzzo DOC 2005

A Caldora Vini está localizada na região de Abruzzo, no centro-sul da Itália. Este vinho é elaborado com a uva tinta que é símbolo da região, a Montepulciano, e me custou R$61 em janeiro deste ano.
Apresentou coloração púrpura. Vinho denso e lacrimoso, manchando as paredes da taça. Aromas medianos. Frutado muito maduro, com destaque para frutos negros e especiarias. Lembrança de madeira em boa medida.
Melhora muito na boca. Bom corpo, com taninos macios. Boca cheia. Álcool presente, sem desequilibrar (14% de teor). Presença de gostoso frutado, com notas de chocolate amargo. Retro-olfato com leve toque de especiarias. Boa complexidade.
Final longo, marcado por madeira bem integrada e frutado muito agradável. Leve presença tânica.
Vinho que vale o que custa, com boa complexidade, próprio para gastronomia, agradável e robusto. Depois de um tempo aberto ficou mais macio e redondo. Um tinto italiano que vale conhecer, embora não dê para comprar toda semana!

01 Outubro 2009

Miolo Seleção Tinto 2008

Este é o 34º vinho da Confraria Brasileira de Enoblogs, uma escolha do confrade do blog Avaliador de Vinhos.
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Confesso que respirei fundo ao ler a indicação. Não estava nos meus planos a compra desse vinho, por mais que a nova imagem tenha melhorado bastante e apesar do novo corte de cabernet sauvignon e merlot (sem pinot noir). Mas confraria é assim... não basta ser confrade, tem que participar.
Comprei o vinho por R$ 18,90. Num almoço de domingo abri a garrafa e servi às cegas para minha esposa e minha mãe. Ouvi expressões do tipo “vinho agradável” e “fácil de beber”, que traduzem os objetivos desse produto tradicional da
Vinícola Miolo.
Realmente não é produzido para ser um grande vinho, mas é satisfatório e vem cumprindo um papel histórico junto aos enófilos brasileiros: muitos começaram a se interessar por vinhos finos com o Miolo Seleção. Confesso que não bebi as safras anteriores, daí não poder fazer um comparativo, mas esse 2008 é agradável, jovem e informal.
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Na taça apresentou coloração rubi, com halo aquoso, lágrimas grossas e rápidas. Aromas moderados. Início com destaque para gostoso amadeirado, abrindo-se para delicado frutado (frutos silvestres, talvez framboesa).
Na boca apresentou pouco corpo. Fácil de beber, com frutado simples, mas muito agradável. Taninos aparecendo levemente, sem rusticidade. Final de boa persistência, com fruta e madeira equilibrados. Álcool aparecendo levemente em alguns momentos, mas sem prejudicar (12,5% de teor). Sem amargor.Enfim, um vinho com boa relação qualidade x preço e que cumpre o papel para o qual foi elaborado.

28 Setembro 2009

Costa do Pombal Tinto Douro DOC 2006

Este tinto duriense é produzido pela Vallegre Vinhos do Porto S/A. É um corte das tradicionais Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinta Barroca. Foi engarrafado somente em 2009.
É um vinho surpreendente, custando apenas $18. Apesar dos três anos de idade, apresentou-se muito agradável e sem defeitos, embora simples e descompromissado. Esteve melhor aos 17ºC.
De coloração púrpura, apresentou halo aquoso. Muitas lágrimas e boa transparência. Aromas medianos, com frutos silvestres maduros. Muito perfumado. A uma temperatura mais baixa a intensidade floral aumentou.
Pouco corpo, bastante leve, mas com taninos ainda presentes e pouca acidez. Equilibrado em boca. Fruta delicada com boa presença. Muito agradável, fácil de beber. Lembrança resinosa, como é comum em vinhos portugueses dessa região e faixa de preços. Final de boa persistência.
Não é excepcional, mas pelo preço que paguei foi uma ótima compra.

24 Setembro 2009

Cave Geisse Espumante Brut 2007

Pensei muito sobre a utilidade deste comentário. É que este brut da Cave Geisse já recebeu premiações que dispensam comentários. Além disso, praticamente todos os leitores do blog devem ter lido algo a respeito dele ou até já experimentaram este ótimo espumante brasileiro. Os que ainda não o fizeram, estão perdendo.
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Elaborado pelo método tradicional com as variedades Chardonnay e Pinot Noir, encanta pelo equilíbrio. Nenhuma característica se sobrepõe às demais. Frutado na medida certa, com notas da fermentação que não se sobrepõem à fruta, sendo gastronômico e refrescante ao mesmo tempo. Com boa cremosidade, tem perlage fina e persistente, um espetáculo na taça. Aromas frescos, com notas de torrefação, frutos secos e mel. Final longo e seco. Álcool de 12,5%. Pela garrafa paga-se em torno dos R$ 42. Um preço justo, na minha opinião.

Indispensável!

21 Setembro 2009

Finca El Origen Malbec 2007

Os vinhos da Bodega La Esperanza não têm feito sucesso aqui em casa. Já comentei um Malbec 2004 deles e não voltei a comprar outra garrafa (relembre). Ganhei um Malbec Reserva e não encantou. Esse 2007 foi outra triste constatação. Embora não seja ruim, não tem atrativos suficientes para me fazer comprar outra botella, embora esteja numa faixa de preços bem acessível (R$19).
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Na taça apresentou coloração púrpura com notas violáceas. Lágrimas grossas. Aromas de média intensidade. Álcool chegando na frente. Fruta madura, resina e algo químico.
De pouco corpo, tem taninos com leve adstringência, acidez presente, mas equilibrada. Pouca presença em boca, bem magro, embora melhor que no nariz. Final curto, com álcool marcante e leve madeira. Vinho que não se justifica, muito simples e pouco atrativo.
Pelo preço que tem, não haverá grande arrependimento, mas acredito que há vinhos um pouco melhores na faixa de preços.
Produzido com uvas do Vale do Uco, tem 14% de álcool.

17 Setembro 2009

Amadeu Espumante Brut Rosé

No dia 29 de julho estivemos novamente na Cave de Amadeu. Fui com minha esposa e três amigos, que não conheciam a vinícola. É um passeio que vale a pena, seja porque a região de Pinto Bandeira é muito bonita, seja porque visitar essa vinícola é sempre um charme. Agradeço à Kátia pela ótima recepção, como da outra vez em que estive por lá.
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Este brut rosé é elaborado com 100% Pinot Noir, uma opção diferente da vinícola, que antes utilizava além desta uva, um percentual de merlot e cabernet sauvignon. Quando fiz o comentário aqui (
relembre) ressaltei o caráter gastronômico do espumante. Nessa versão 2008 veio mais leve, mas refrescante, mais informal, mas com a qualidade de sempre.
Na elaboração, pelo método champenoise, a segunda fermentação leva aproximadamente 6 meses, com mais um ano de amadurecimento nas caves. Teor de açúcar: 12 gramas por litro. Teor alcoólico: 12,5%.
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Na taça uma bonita coloração voltada para o salmão, lembrando casca de cebola. Nada de "cor-de-rosa", lembrando o Guaraná Jesus, fabricado no Maranhão!
Excepcional perlage, com bolhas finas e constantes. Um espetáculo visual. Aromas moderados, frutado delicado e leve lembrança da fermentação.
Na boca é mais refrescante que a versão anterior. Certa cremosidade. Equilíbrio entre frutado e notas da segunda fermentação. Final mediano, marcando o palato com leve tostado.
Espumante menos encorpado que a versão anterior, que levava duas uvas tintas bem "pesadas" na elaboração. Ponto alto para o equilíbrio. Menos exuberante que outros da linha Cave Geisse. Acompanhou bem alguns queijos mais cremosos. Não me lembro exatamente quanto paguei no varejo da vinícola, mas foi algo em torno dos R$28.

13 Setembro 2009

Avondale Julia 2006

Quando experimentei o Pinotage da Vinícola Avondale, comentado em novembro do ano passado (relembre), fiquei muito impressionado, tanto que foi um dos vinhos "excelentes" de 2008 aqui do blog. Ao encontrar este Julia (nome da minha sobrinha-única), não tive dúvidas em comprá-lo, na expectativa que pudesse repetir o resultado. Parece ser o vinho básico da vinícola, um corte engenhoso de seis variedades: Merlot (29%), Cabernet Franc (24%), Mourvèdre (20%), Ruby Cabernet (13%), Malbec (10%) e Cabernet Sauvignon (4%). A passagem por madeira também é um pouco complicada: 12 meses em barricas de carvalho francês novas (25%) e de 2 anos de uso (45%), além de americanas de 3 anos de uso (30%).
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Na taça coloração púrpura bem jovem. Intensos aromas, abrindo com terra úmida, partindo para floral, um mix de sensações perfumadas. Minutos após servido surgiram notas de carvalho, que se mesclaram com boa fruta, permanecendo por todo o tempo restante em que o vinho foi degustado.
Complexidade aromática não se repetiu em boca. Corpo mediano, com taninos macios e doces. Acidez e álcool em equilíbrio. Retro-olfato com fruta e madeira. Final longo, com destaque para abaunilhado da madeira e leve tostado no palato. Estilo bem "novo mundo", semelhante aos demais sul-africanos nesta faixa de preços ($40-45). Pronto para beber, sem expectativa de melhora com a guarda.




Nota: a uva Mourvèdre é muito importante nos vinhos do sudeste e sul da França, nas regiões de Provence, Languedoc e Côtes-du-Rhône. É uma das uvas que entram no corte do famoso Château-Neuf-du-Pape. Na Espanha recebe o nome de Monastrell. Suas características são muito próximas às da Cinsault, uma das uvas do cruzamento que originou a Pinotage.

09 Setembro 2009

Vallontano Reserva Merlot 2005

Estive na Vinícola Vallontano em outubro de 2008. É uma das primeiras vinícolas na rota do Vale dos Vinhedos e tem um espaço interessante, o Vallontano Café. Não sei se estavam em reforma ou foi por conta da baixa temporada, mas funcionava apenas a degustação. Quando voltei agora em julho, infelizmente não consegui ir até lá.
Comprei este Merlot por $45, após degustar toda a linha de tintos e espumantes. Todos muito corretos e chamativos, mas um turista comedido não leva tudo de todos os lugares, certo?
Abri o vinho somente em junho deste ano, mas esqueci de fazer o comentário. Foi aberto numa quarta-feira para acompanhar uma pizza e caiu muito bem. Ficou doce e harmônico com a massa. Obs.: O rótulo está sujo porque outras garrafas foram delicadamente quebradas pela companhia aérea.
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De coloração rubi-violáceo, não demonstrou a idade. Aromas intensos, típicos dos Merlot brasileiros. Muita fruta madura, leve toque de especiarias e notas vegetais em evidência. Corpo mediano, macio e equilibrado. Opção pela elegância. Taninos finos e acidez moderada.
Final longo, com frutado tomando conta. Álcool equilibrado (13,5%) e sem nenhum amargor. Madeira bem dosada e elegante, com toques tostados e de café. Estilo mais próximo aos vinhos europeus. Passagem de 8 meses por barricas de carvalho. Está num bom momento para ser aberto, embora possa melhorar em 1 ano.
Somente um ponto negativo: poderia ser mais barato.




Obs.: Não sou supersticioso, mas não ia perder a oportunidade de publicar este comentário no dia 09/09/09 às 09:09 h.

05 Setembro 2009

Finca El Origen Reserva Malbec 2007

Já comentei outro Malbec da Bodega La Esperanza (relembre), de uma linha básica e que não me agradou muito. Aliás, em breve virá o comentário do mesmo vinho, só que da safra 2007.
Este reserva tem passagem de 12 meses por barricas usadas e está na faixa dos $ 30-35. Um vinho que poderia custar menos.
Jovem, de coloração púrpura com reflexos violáceos e lágrimas muito lentas. Bons aromas, com o frutado típico dos Malbec argentinos. Um pouco “quente” no nariz (14,5% de teor alcoólico).
Na boca apresentou corpo mediano, com taninos vivos, ainda ásperos, com acidez marcante. Vinho seco, sem a chatice da repetitiva doçura da maioria dos vinhos sul-americanos. Madeira discreta, com retro-olfato frutado.
Final médio, alcoólico. Leve amargor, especialmente quando a temperatura na taça aumentou. Fundo do copo com lembrança discreta do carvalho.

Enfim, um vinho com alguns problemas, especialmente o álcool que incomodou um pouco, demonstrando ter efetivamente os 14,5%. Servido a uma temperatura abaixo dos 18ºC melhorou o frutado e o álcool ficou menos aparente. Mas, "desafinou" no conjunto.

01 Setembro 2009

Palo Alto Reserva 2007

Este é o 33º vinho comentado para a Confraria Brasileira de Enoblogs. Desta vez a indicação foi do Alexandre, do Diário de Baco. Um tinto fácil de encontrar, produzido pela Vinícola Palo Alto, criada em 2006 no Vale do Maule, sendo uma das subsidiárias da gigante Concha y Toro. Vinho bastante semelhante à maioria dos chilenos nesta faixa de preços, bastante frutado, sem muita complexidade, mas agradável. Um corte de cabernet sauvignon, carmenère e syrah, em proporções que desconheço, assim como não sei o tempo de passagem por madeira. Pela garrafa paguei R$35.
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Na taça uma coloração púrpura, com bordas violáceas. Bastante lacrimoso. Aromas maduros em boa intensidade, frutos negros de início, abrindo posteriormente para frutos vermelhos mais delicados, chocolate e nuances da madeira. Álcool aparecendo e incomodando um pouco.
Corpo médio, com taninos vivos e acidez mediana. Início bastante "seco", sem notas mais adocicadas, que somente apareceram após um tempo aberto, mas não ficou enjoativo. A uma temperatura mais baixa (em torno dos 16ºC) ficou mais agradável em boca.
Final mediano, com madeira ainda discreta, sensação de "boca seca". Leve amargor. Vinho jovem, sem muita complexidade. Servirá bem para uma ocasião mais informal, mas não fará feio ao acompanhar uma refeição.
Sinceramente fiquei na dúvida sobre a “avaliação” do vinho. Levando em consideração a relação custo x benefício e o álcool (13,5% de teor) que "esquentou" um pouco o vinho em todos os momentos da degustação, acredito que mereça minhas três taças. Um bom vinho, sem dúvida, mas não mudará sua vida. Ponto positivo para madeira sem exageros. Beba logo!

27 Agosto 2009

Picada 15 Merlot 2006

Não costumo gostar de vinhos argentinos ou chilenos elaborados com Merlot. Que me desculpem os inúmeros incrédulos, mas prefiro o Merlot brasileiro. Na média, mesmo os mais simples e baratos são melhores.
Este vinho é produzido na fria Patagônia, pela importante Bodega NQN. O nome do produto vem dos caminhos abertos pelos primeiros exploradores, que receberam o nome de “picadas”. A de nº 15 passa perto da vinícola.
Um vinho que está na faixa dos $25-30 e tem boa relação qualidade x preço. Tem passagem de apenas 10% em madeira francesa e americana, pelo período de 6 meses. Um vinho equilibrado, apesar da potência dos 14,5% de teor alcoólico.
Vinho de coloração rubi, bem lacrimoso, brilhante e com boa transparência. Boa intensidade aromática, com lembrança de frutos maduros e delicados. Álcool indicando potência, mas sem atrapalhar. Leve presença floral. Servido a uma temperatura mais alta aumentou a complexidade aromática.
Tem corpo mediano, com taninos bem presentes e marcantes. Acidez moderada. Final de boa persistência, deixando a boca seca. Ponto positivo para a madeira muito bem dosada. Algumas notas adocicadas apareceram com a massa ao molho bolonhesa, demonstrando sua vocação para acompanhar refeições.

23 Agosto 2009

Luiz Argenta Reserva Cabernet Sauvignon 2004

A Vinícola Luiz Argenta elabora um dos mais agradáveis espumantes Moscatel do mercado, na minha opinião. E tinha curiosidade de experimentar seus tintos, já que não os encontro na região em que moro.
No dia 29 de julho almoçamos no Di Paolo, na cidade de Garibaldi. Um lugar muito agradável e com vários prêmios dados pela Revista 4 Rodas, inclusive o de "melhor galeto do Brasil". Se é mesmo o melhor não sei, mas estava sensacional!
Pagamos R$ 39 por este Cabernet Sauvignon, com passagem de 6 meses por barricas de carvalho e produção limitada a 16.000 garrafas.
Na taça uma coloração rubi com bordas tendendo ao granada, revelando sua idade. Lágrimas grossas e lentas. Ótimos aromas, com frutas vermelhas maduras e destaque, envolvidas por notas amadeiradas muito elegantes.
Corpo mediano, taninos macios, que marcaram final com leve adstringência. Retrogosto longo, elegante, com madeira se sobrepondo levemente à fruta, mas com elegância e estilo "velho mundo". Vinho prontíssimo para consumo. Sem notas amargas ou agressividade de taninos ou acidez.
Experiência muito boa. Tanto o vinho quanto a comida deram um toque especial em nosso último almoço na Serra Gaúcha.

19 Agosto 2009

Boscato Reserva Merlot 2005

No dia 28 de julho jantamos no Família Geremia, em Garibaldi. Quem conhece a região sabe que fica no Castelo Benvenuti, às margens da rodovia. Lugar agradável, com serviço muito bom, comandado pelo Paulo Geremia, empresário com restaurantes em várias cidades da região. Da carta de vinhos com centenas de opções, experimentamos espumantes da Cave Geisse e da Perini (briga desigual).
Dentre os tintos, ficamos curiosos com este merlot da Vinícola Boscato, localizada no município de Nova Pádua, no Vale do Rio das Antas, e fundada em 1983 pelos irmãos Clóvis e Valmor Boscato. Segundo o site da empresa, todos os Reserva passam por barrica de carvalho, mas não especifica o período. Pela garrafa pagamos R$35.
Na taça um vinho de coloração rubi, com reflexos violáceos, aparentando untuosidade. Aromas discretos, com lembranças de frutos vermelhos e especiarias. Na boca apresentou leveza, com taninos finos e baixa acidez. Presença discreta em boca, o que levou a todos na mesa a utilizar o adjetivo "vazio" para descrever a sensação. Retro-olfato com boa fruta.
Final mediano, notas de bala de café e um gostoso frutado. Vinho delicado e elegante, muito macio e sem nenhum amargor para incomodar. Equilibrado e diferente da maioria dos merlot brasileiros. Não é um vinho excepcional, mas vale a experiência. Pronto para beber. Álcool equilibrado (12,5% de teor) e madeira muito discreta, na medida que deve ser.




Este é o 300º vinho que comento no blog. Não foi escolhido por ser especial, apenas coincidiu com a marca. Obrigado aos leitores por me suportarem há tanto tempo!

15 Agosto 2009

Valmarino Tannat 2005

No dia 29 de julho estive novamente na Vinícola Valmarino, no Distrito de Pinto Bandeira, em Bento Gonçalves. Fomos muito bem atendidos, como sempre. Meu propósito era comprar o Cabernet Franc X, mas acabei degustando vários tintos. Embora a temperatura ambiente fosse bem baixa (inferior a 10ºC) e os vinhos estivessem gelados, fiquei surpreso com o resultado geral. Todos os tintos estavam interessantes, mesmo os mais baratos. Este Tannat me custou $18. Comprei a garrafa nº 0904. Uma relação qualidade x preço muito boa, pois é um vinho surpreendente para a faixa de preços. Compraria uma caixa, se coubesse no porta-malas do carro.
Uma bonita coloração rubi, manchando as paredes da taça. Lacrimoso (14%). No exame olfativo, ainda sem agitar a taça, aromas terrosos e vegetais, abrindo-se posteriormente para ótima fruta madura, notas florais e leve tostado de uma madeira bem dosada.
Corpo mediano. Taninos presentes, como é natural em vinhos desta uva, mas sem exageros. Diria que está macio para um Tannat. Acidez equilibrada e álcool sem aparecer, apesar do alto teor.
Final marcante, de média intensidade. Fruta e madeira se entendendo bem. Boca levemente seca. Um pouco de amargor apareceu para incomodar, mas de resto o vinho está equilibrado.
Vinho que está em ótima forma e com preço muito bom. Apresentou muitos resíduos (como pode ser visto na foto) e cristais de tártaro. Melhor deixar a garrafa na vertical para servi-lo após um tempo. A decantação nesse caso deve ser feita pelo motivo clássico e não para "arejar" o vinho, que não precisa disso. Está pronto para beber.





Busquei mais informações sobre o vinho e obtive resposta do enólogo Marco Antônio Salton: "O Tannat Valmarino 2005 provém de uvas selecionadas de nossos vinhedos com mudas importadas do Uruguai, que na excelente safra 2005 permitiu a obtenção de um vinho com 14% de álcool natural. Este vinho 100% varietal não foi filtrado e envelheceu cerca de 30% em barricas de carvalho americanas e francesas novas por um período de 5 meses. Foi engarrafado em Junho de 2006 num lote de 4.000 garrafas todas numeradas e armazenado em nossa adega em pedra basalto. Sua comercialização iniciou em Novembro de 2007".
Agradeço de público a gentileza da resposta!

10 Agosto 2009

Alto Pampas del Sur Pinot Noir 2008

Fui a um supermercado e encontrei esta garrafa a R$19. Aliás, eram duas garrafas, mas a outra estava sem rótulo e o contra-rótulo. Coisas de supermercado. Resolvi comprar só uma, sem esperar grande coisa de um Pinot Noir desse preço, mas o resultado foi satisfatório. Compraria mais.
Segundo informações do rótulo, é produzido pela Trivento, na imensa denominação de Mendoza. Com teor de 13,5% de álcool é um PN mais vigoroso que o esperado, mas o preço baixo compensa os pontos negativos.
De coloração púrpura, é brilhante e com boa transparência. Aromas medianos, mas agradáveis, com boa tipicidade, notas silvestres e leve álcool. Na boca é leve, com taninos finos e baixa acidez. Muito agradável, com frutado delicado e álcool dando potência. Notas florais apareceram com maior intensidade na boca. Final mediano, com boa intensidade de frutos e flores. Leve amargor.
Pronto para consumo. Mais "quente" que o esperado. Vinho ideal para uma segunda-feira. Servirá aos que querem ser apresentados a essa uva, porque é mais "novo mundo". Não valeria a compra se custasse $30.

05 Agosto 2009

Kanu Rockwood Red 2006

Eis um assemblage sul-africano, elaborado na região de Stellenbosch pela Kanu Vineyards, fundada em 1997. É um corte entre Shiraz (56%), Cabernet Sauvignon (34%), Merlot (6%) e Roobernet (4%), um cruzamento entre CS e Pontac, uva local muito plantada na região do Cabo. De coloração púrpura violáceo, é bem lacrimoso. Aromas iniciais de chocolate e baunilha (lembrando pó para "bolo de caixinha"). Após agitação apareceu frutado bem maduro, com madeira aparentemente equilibrada.
Vinho muito leve, meio "aguado". Madeira surgiu com exagero, se sobrepondo ao restante, deixando frutado escondido. Taninos macios. Sem muita complexidade. Final mediano, marcado por abaunilhado e uma leve presença tostada. Álcool sem desequilibrar.
Um vinho bom, mas nada excepcional, que na minha opinião pecou pelo excesso de madeira, chegando a ficar um pouco chato. Valeu para conhecer um produto com a até então desconhecida Roobernet, que no final das contas não deve ter feito diferença.
Em tempo: o vinho é meio-seco, conforme alteração feita no contra rótulo. Isso significa que o açúcar deste produto fica entre 5 e 20 g/l, segundo as normas brasileiras.



01 Agosto 2009

Casa Valduga Premium Cabernet Franc 2005

Este é o 32º vinho da Confraria Brasileira de Enoblogs, escolha que me coube em nosso rodízio democrático. Lembro a todos que as escolhas refletem a individualidade dos confrades, que não escolhem vinhos porque sabidamente sejam consagrados. Ao contrário, a diversidade é que alimenta a curiosidade. Por vezes essa diversidade traz decepções, mas elas fazem parte da vida, com ou sem vinhos.
Neste mês contamos com a adesão dos blogs
Prazer por Vinhos Tintos (São Paulo), Vim Vinho Venci (Recife) e Vinhos e Vinhas (Belo Horizonte). Bem vindos!
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O vinho do mês é produzido pela
Casa Valduga, com uvas do Vale dos Vinhedos. Pertence à sua linha Premium, com passagem de 8 meses por barricas de carvalho francês. Na mesma linha há os tintos elaborados com Cabernet Sauvignon e Merlot, os brancos Chardonnay, Gewürztraminer e Sauvignon Blanc, além de espumantes.
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Paguei R$35 pela garrafa e o resultado foi muito bom, pois encontrei um vinho muito correto, com personalidade própria e bastante harmonia. Nada de madeira exagerada escondendo as características do vinho, nada de imitação de vinhos chilenos e argentinos.
Na taça uma coloração rubi brilhante, com pouca transparência. Boa intensidade aromática, com frutas vermelhas mais delicadas e presença de floral bem aparente. Madeira discreta e bem integrada.
Servi o vinho a 20ºC para perceber se o álcool incomodava, afinal são 14% de teor e o vinho se comportou muito bem.
Bebido a 18º C, apresentou corpo mediano, macio em boca, com taninos já domados pela boa evolução. Acidez marcante, sem desequilibrar. Final persistente, com boa fruta e elegante tostado da madeira, com nuances de café e chocolate. Boca um pouco seca. Vinho que está ótimo para consumo imediato e ainda pode esperar mais um ano.
Aos 20ºC havia um leve amargor no retrogosto, que desapareceu à temperatura correta de serviço. Enfim, um vinho surpreendente. Fala-se muito do Merlot da mesma linha, mas esse CF está melhor.






No dia 27 de julho, jantei com minha esposa e alguns amigos na Osteria Persona, o restaurante da Villa Valduga, em Bento Gonçalves. Experimentei pela primeira vez o Cabernet Franc da safra 2006. Fiquei surpreso com seu equilíbrio e elegância, com retrogosto intenso, lembrando bala de café. Estiloso. Quando prová-lo novamente com mais atenção faço o comentário aqui.

27 Julho 2009

Casa Silva Colección Cabernet Sauvignon 2007

Já declarei minha admiração pelos vinhos da Casa Silva, elaborados pelo competente Mário Geisse. Essa linha Colección é bastante segura, especialmente o Carmenère já comentado, que considero o melhor da linha (relembre). Seus vinhos tem uma particularidade interessante que é a passagem parcial por madeira, permitindo que as características das uvas se expressem de forma mais franca. Este Cabernet Sauvignon tem passagem de apenas 25% do líquido por barricas francesas, por um período de 6 meses.
Na taça apresentou coloração púrpura com reflexos violáceos e lágrimas lentas, demonstrando certa untuosidade. Boa intensidade aromática, marcada por frutos vermelhos, leve mentolado e madeira escondida. Floral em segundo plano e notas de especiarias, especialmente em temperatura um pouco mais alta.
Corpo mediano, com taninos redondos e macios. Acidez moderada e retro-olfato marcado por muita fruta. Final com leve aspereza dos taninos, permanecendo na boca um logo e gostoso frutado, envolvido por madeira bem integrada. Delicado floral apareceu também.
Vinho com certa complexidade, fácil e elegante. Muito equilíbrio entre taninos, acidez e álcool (14% que não incomodou em nenhum momento). Chegou a ficar "doce" ao acompanhar uma despretensiosa rodada de queijo Brie que estava passando por ali. Está meio degrau abaixo do Carmenère da mesma linha.




23 Julho 2009

Aurora Reserva Cabernet Sauvignon 2007

Comprei este vinho disposto a provar pra mim mesmo que não tenho qualquer preconceito em relação à histórica Vinícola Aurora. É que sempre olho para seus vinhos com uma certa desconfiança, porque "vinhos de cooperativas" podem ser elaborados com uvas de procedências tão diversas que a qualidade pode estar comprometida.
Paguei R$22 pela garrafa num supermercado e o resultado foi razoável. Não valeria mais que o preço pago.
É um vinho de coloração púrpura com notas violáceas. Aromas iniciais lembrando terra úmida. Agitando a taça, apareceram notas bastante elegantes da madeira, lembrança de baunilha, côco e tabaco. Fruta muito escondida. Madeira dominando, mas sem ofender o nariz, como tem ocorrido com alguns importados que tiveram contato com lascas (chips) de carvalho.
Apresentou pouco corpo, especialmente por se tratar de um CS. Taninos finos e retro-olfato dominado pela madeira, mas agradável. Fácil de beber. Final curto para fruta e mediano para madeira. Sem amargor final.
É daqueles vinhos que renderiam um "debate técnico", porque na minha ignorância enológica considero sua estrutura de taninos e acidez insuficiente para tanta madeira, o que acabou escondendo as características mais elementares da CS. Vinhos simples e descompromissado, pra ser bebido ontem, com todo respeito.

19 Julho 2009

Elegido Tannat-Merlot 2007

Comprei este vinho por R$19 e fiquei satisfeito com o resultado. Vinho simples, mas equilibrado e agradável. Um bom exemplar para o dia-a-dia, com o tradicional corte uruguaio de Tannat e Merlot, presente em vinhos de linhas mais simples. É produzido pela conhecida Montes Toscanini, na região de Canelones, onde está situada a capital do país, Montevidéu.
Na taça apresentou coloração vermelho rubi, com lágrimas rápidas. Bons aromas, com início amadeirado, abrindo-se posteriormente para agradável frutado e algumas notas florais. Sem complexidade.
Apresentou menos estrutura do que esperado para um vinho com Tannat, uma contribuição dada pela Merlot. Taninos macios, com leve aspereza. Acidez discreta. Retro-olfato gostoso, marcado por muita fruta e leve lembrança do carvalho. Final persistente, mesclando bem fruta e madeira, com clara lembrança de côco e tabaco.
Vinho com certa elegância para a faixa de preços. Melhor em boca do que no nariz. Beba logo!

15 Julho 2009

Malma Reserva Pinot Noir 2006

Gosto de vinhos da Patagônia, mas esse Pinot Noir produzido pela excelente Bodega NQN já está na curva descendente. O 2007, que já experimentei em outra ocasião, ainda está ótimo, mas este 2006 já não está mais em plena forma, com o álcool atrapalhando um pouco o conjunto. Pela garrafa paga-se na casa dos R$40.
Na taça um rubi brilhante, mais escuro e lacrimoso. Na temperatura indicada no rótulo para melhor consumo (18ºC) apresentou aromas moderados, típicos da variedade, com álcool aparecendo. Leve presença de madeira. Com a temperatura mais baixa, melhorou um pouco, mas o álcool ainda teimou em incomodar (14,5% de teor).
Os aromas modestos de frutos silvestres indicavam um vinho "meia-boca", mas melhorou muito no exame gustativo, com taninos já dóceis, com leve aspereza e boa acidez. Retro-olfato frutado e álcool dando mais potência do que o normal para um Pinot Noir.
Final persistente, com frutado marcante e madeira bem integrada. Como disse, já passou seu auge, mas ainda é gostoso. Pena que o álcool tenha desequilibrado em alguns momentos.
Segundo o rótulo, 15% do vinho passam por madeira americana e francesa, pelo período de 6 meses.

10 Julho 2009

Condado de Almara Reserva 2003

É provável que este seja o vinho espanhol mais elegante e bem acabado que comentei neste blog. Um corte harmônico de tempranillo (70%) e cabernet sauvignon (30%), produzido na região demarcada de Navarra (sub-região de Ribeira Alta de Navarra), pela Bodega Macaya, casa fundada em 1999. Embora com passagem de 14 meses em barricas americanas e mais 12 meses em garrafa, a madeira não interferiu no conjunto, deixando aromas bem aparentes. Vinho de boa presença em boca.
Na taça apresentou coloração rubi com notas violáceas. Lágrimas muito lentas. Aromas iniciais de boa intensidade, lembrando frutos mais delicados, frutos secos e alguns temperos. Agitando a taça, veio muita fruta madura e compota. Elegante no nariz, estilo “velho mundo”, sem aquela “explosão de frutos vermelhos” com a qual estamos sendo obrigados a conviver na maioria dos vinhos.
Na boca é convidativo. De corpo médio, apresentou taninos finos, com ótimo equilíbrio entre acidez e álcool. Final longo, com fruta marcando o palato e elegante madeira. Boca levemente seca ao final, com taninos mandando recado (sem desagradar). Em alguns momentos apareceram aromas lembrando queijo ou algo lácteo.
Não pareceu ter 13,5% de teor alcoólico. Apresentou-se melhor a temperaturas mais altas, em torno dos 18ºC. Envelheceu muito bem e está pronto para beber. Ótima relação custo x benefício (R$ 37,50).

05 Julho 2009

Clos Torribas Tinto Crianza 2004

Este vinho 90% tempranillo e 10% cabernet sauvignon é produzido na região de Penedès, pela Bodegas Pinord, casa fundada em 1942. A região está situada na costa nordeste do mediterrâneo, entre Barcelona e Tarragona e pertence ao grupo de elite das regiões demarcadas do país (DO).
A garrafa me custou R$29, mas o resultado não foi tão bom quanto esperava, afinal, o vinho é vendido com uma etiqueta informando que é "uno de los mejores vinos del mundo", segundo a Wine Spectator. Pode ser que uma safra anterior tenha merecido a distinção ou esta já não esteja tão em forma.
O vinho passa de seis a nove meses em barricas de carvalho francês e americano, segundo informações no site do produtor.
De coloração rubi bastante claro, com bordas alaranjadas, formou lágrimas rápidas. Sem agitação na taça, apresentou bons aromas, com destaque para um elegante amadeirado. Depois de agitado o líquido, apareceram aromas de frutos maduros, algo lembrando compota, em boa intensidade.
Na boca é leve, com pouco corpo. Taninos já domados pelo tempo e baixa acidez. Pouco interessante, com boca marcada por madeira. Final de boa persistência, com leve tostado. Gostoso, mas com fruta muito escondida.
Vinho que certamente perdeu o vigor, embora não esteja defeituoso ou seja ruim. Não compraria outra garrafa. Se ganhar uma de presente, beba logo!

01 Julho 2009

Pizzato Reserva Merlot 2005

Este é o 31º vinho comentado para a Confraria Brasileira de Enoblogs. A escolha foi dos confrades Rafaela e Cláudio, do Le Vin ao Blog. Um vinho fácil de se encontrar em qualquer região do país, a um preço acessível e produzido pela respeitada Vinícola Pizzato. Qualquer enófilo conhece a história do Merlot 1999 desta vinícola, que chamou a atenção dos críticos sobre as potencialidades desta uva em terras brasileiras.
A qualidade deste vinho, portanto, não é surpresa. Com passagem de 5 meses por barricas de carvalho americano, é chamado de "reserva" pela vinícola, um critério próprio porque a legislação brasileira não regula estes parâmetros, como se faz na Espanha, por exemplo. Com a nova Denominação de Origem para o Vale dos Vinhedos, quem sabe não se corrija isso?
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Na taça tem coloração púrpura-violáceo, aparentando ser mais jovem que um 2005. Muitas lágrimas, grossas e lentas. Aromas iniciais fechados e terrosos. Agitando a taça abriu-se para frutado moderado (ameixas talvez) e um fundo de especiarias. Esperava mais complexidade.
Na boca apresentou corpo mediano, com gostoso adocicado na ponta da língua, que desparece logo. Taninos ainda presentes e acidez moderada. Retrogosto com boa presença de frutas maduras e madeira bem integrada, sem se sobrepor. Equilibrado, com álcool sem incomodar (13% de teor).
Final de média persistência, com permanência curta do frutado, prevalecendo um gostoso amadeirado. Boca seca, marcada levemente pelos taninos. Vinho com ótimo equilíbrio, privilegiando a delicadeza e elegância.
Representa bem a tipicidade da Merlot do Vale dos Vinhedos, embora não seja excepcional. Pronto para beber ou para guardar mais um ano.
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Paguei R$ 35 pela garrafa nº 00795, de um total de 29.500.

28 Junho 2009

Da'Divas Chardonnay 2008

Depois do polêmico Quorum, que despertou manifestações de leitores de todo o país, especialmente por causa do preço do vinho, chegou a vez de outro Lídio Carraro. Desta vez um acessível chardonnay (na casa dos R$30-35), sem passagem por madeira e produzido com uvas de Encruzilhada do Sul. É o 100º vinho brasileiro que comento no blog, confirmando minha predileção/curiosidade pelos vinhos nacionais.
Amarelo palha com reflexos dourados, formou muitas lágrimas. Aromas frutados de boa intensidade, com clara lembrança de abacaxi e pêra. Melhora muito na boca. É equilibrado e refrescante, com boa acidez. Vinho leve, mas marcante. Retro-olfato marcado por delicado frutado. Apresentou um envolvente adocicado.
Final de média persistência, com fruta em primeiro plano e álcool dando certa potência, mas sem ser "alcoólico". Leve sensação amanteigada em alguns momentos.
Sem o peso da madeira, demonstrou boa tipicidade e refrescância. Deve-se tomar cuidado com a temperatura. A vinícola sugere 12ºC, mas um pouco acima disso o álcool começa a incomodar (13,3% de teor).
Foram produzidas 10.500 garrafas. Abri a de nº 7.354, que acompanhou bem uma salada de frango com alface, palmito, queijo parmesão e croutons.